Será que tem aqui?

domingo, 8 de julho de 2012

Sete de Julho de 2012



É na simplicidade de palavras, envoltos na leveza e calmaria revigorantes de sua energia, é no sorriso das crianças, os olhares maravilhados, nos contrastes, nas descobertas, nas diversas culturas e tribos miscigenadas em um só turbilhão, o da Literatura. Literatura das ruas, dos rostos, dos artesanatos, das cores e dos sabores, dos valores. Literatura da História, dos corações, das brilhantes mentes que ontem sonharam, hoje concretizam, e mais do que nunca, continuam sonhando.

Festa Literária Internacional de Paraty 2012.

sábado, 9 de junho de 2012

Ser


Mãos Dadas

Não serei o poeta de um mundo caduco.
Também não cantarei o mundo futuro.
Estou preso à vida e olho meus companheiros.
Estão taciturnos mas nutrem grandes esperanças.
Entre eles, considero a enorme realidade.
O presente é tão grande, não nos afastemos.
Não nos afastemos muito, vamos de mãos dadas.

Não serei o cantor de uma mulher, de uma história,
não direi os suspiros ao anoitecer, a paisagem vista da janela,
não distribuirei entorpecentes ou cartas de suicida,
não fugirei para as ilhas nem serei raptado por serafins.

O tempo é a minha matéria, o tempo presente, os homens presentes,
a vida presente.

Carlos Drummond de Andrade




Para Os Que Virão


Como sei pouco, e sou pouco,
faço o pouco que me cabe
me dando inteiro.
Sabendo que não vou ver
o homem que quero ser.

Já sofri o suficiente
para não enganar a ninguém:
principalmente aos que sofrem
na própria vida, a garra
da opressão, e nem sabem.

Não tenho o sol escondido
no meu bolso de palavras.
Sou simplesmente um homem
para quem já a primeira
e desolada pessoa
do singular - foi deixando,
devagar, sofridamente
de ser, para transformar-se
- muito mais sofridamente - 
na primeira e profunda pessoa
do plural.

Não importa que doa: é tempo
de avançar de mão dada
com quem vai no mesmo rumo,
mesmo que longe ainda esteja
de aprender a conjugar
o verbo amar.

É tempo sobretudo
de deixar de ser apenas
a solitária vanguarda
de nós mesmos.
Se trata de ir ao encontro.
( Dura no peito, arde a límpida
verdade dos nossos erros. )
Se trata de abrir o rumo.

Os que virão, serão povo,
e saber serão, lutando.

Thiago de Mello

Para Viver Um Grande Amor


Para viver um grande amor, preciso é muita concentração e muito siso, muita seriedade e pouco riso — para viver um grande amor.

Para viver um grande amor, necessário é ser um homem de uma só mulher; pois ser de muitas, poxa! é de doer... — não tem nenhum valor.

Para viver um grande amor, primeiro é preciso sagrar-se cavalheiro e ser de sua dama por inteiro — seja lá como for. Há que fazer do corpo uma morada onde clausure-se a mulher amada e postar-se de fora com uma espada — para viver um grande amor.

Para viver um amor, na realidade, há que compenetrar-se da verdade de que não existe amor sem fidelidade — para viver um grande amor. Pois quem trai seu amor por vaidade é um desconhecedor da liberdade, dessa imensa, indizível liberdade que traz um só amor.

Para viver um grande amor perfeito, não basta ser apenas bom sujeito; é preciso também ter muito peito — peito de remador. É preciso olhar sempre a bem-amada como a sua primeira namorada e sua viúva também, amortalhada no seu finado amor.

É muito necessário ter em vista um crédito de rosas no florista — muito mais, muito mais que na modista! — para aprazer ao grande amor. Pois do que o grande amor quer saber mesmo, é de amor, é de amor, de amor a esmo; depois, um tutuzinho com torresmo conta ponto a favor...

Para viver um grande amor é muito, muito importante viver sempre junto e até ser, se possível, um só defunto — pra não morrer de dor. É preciso um cuidado permanente não só com o corpo mas também com a mente, pois qualquer "baixo" seu, a amada sente — e esfria um pouco o amor. Há que ser bem cortês sem cortesia; doce e conciliador sem covardia; saber ganhar dinheiro com poesia — para viver um grande amor.


Vinicius de Moraes

Por cada dia


Não tenho um décimo da consciência necessária para arcar com as consequências das decisões tomadas ao longo do caminho percorrido. E não faço ideia do quanto pode mudar de um simples segundo para o outro, devido a uma palavra dita a mais ou a menos, um passo em falso, uma escolha errada ou correta.

quinta-feira, 24 de maio de 2012

Sequência



Dormir, acordar.
Lutar; lutar sempre,
Sempre assim, até o fim.

A rotina da vida
Vai passando,
Vai rolando,
Empurrando sempre,
Sempre para a frente.

O vai-vem da vida,
A sequência dos dias,
O cotidiano das horas,
A fuga dos minutos,
A eternidade de um segundo.

A vida se esvai
No atropelo das gerações,
Na corrente dos anos,
Na ânsia dos impossíveis:
Removendo pedras,
Cavando trincheiras,
Construindo os caminhos do futuro.

Cora Coralina (1889-1985)

Tinha 76 quando seu primeiro livro foi publicado

sábado, 19 de maio de 2012

À Vida


          Nesse momento seu corpo está sendo velado. A matéria que um dia abrigou sua alma, que fora tão acreditada...pelo menos por mim. Não há surpresas, talvez nem decepções. Apenas a conformação, e quem sabe, uma ou duas perguntas. Ele finalmente desbravou o desconhecido, contra a sua vontade e sobrecarregado de arrependimentos, medos e culpa. Mas mesmo assim...desbravou. Na verdade, entregou-se. Envolveu-se no silêncio do sofrimento e deixou-se levar pelo fim. Agora ele já sabe...seja lá o que for que deva-se saber, ver, sentir. A questão é que nós ainda continuamos aqui, a mêrce. Alvos vivos de experiências, agradáveis ou não, aprendizado, escolhas, ambiguidades, medos, incertezas, descobertas, sentimentos arrebatadores. Nós ainda podemos fazer o que muitos não tiveram a chance. Não é hora para pensar em nada, é hora para pensar no tudo. Não o tudo que destina-se ao futuro incerto, mas à vida vigente. A responsabilidade irrenunciável. A tudo o que a vida dele significou para nós, para mim. Me pergunto como será a partir de agora...apenas será.
          Hoje o sol é meu melhor amigo, cujo calor desaloja todo o frio das minhas dúvidas, dos meus medos, e das minhas tão assustadoras perguntas. O sol possui a magia de alcançar a todos, iluminando cada alma, perdida ou achada, cada esperança, ou desespero, cada vida, cada morte. Ele olha por nós, cicatriza nossas feridas e aquece a dor, transformando-a em entendimento subjetivo de um passado, de muitas lembranças, de chances perdidas e aproveitadas, do caminho que se segue. Hoje, amanhã e enquanto eu viver, estarei sob o sol.


quinta-feira, 3 de maio de 2012

Maturidade utópica




          
          A vida nunca parou por nós, nem para nós. As complicações e obstáculos impostos a nós sempre preencheram os espaços de tempo como se eles estivessem ali cumprindo algum tipo de papel obrigatório. Não existe transição pura, ou isenta de manchas. Porém, também não existe como negar que nós somos responsáveis por elas. E as deixamos tomar lugar em nossas mentes, de forma que, atingido um certo ponto, são as únicas coisas que conseguimos enxergar. Enquanto todos os outros não fazem nem ideia do que está se manifestando, ocupados demais com o mesmo efeito ocorrido, porém em suas próprias vidas. E é assim que nos tornamos reclusos e cegos, cercados por nossos próprios medos e insatisfações, vistas de forma exagerada...muitas vezes. É assim também que desperdiçamos tempo, sentimentos, esforços vãos para entender aquilo que não tem explicação, e limita-se apenas a aceitação. Se nos contentassemos apenas com o necessário e deixassemos o extraordinário cumprir seu papel naturalmente, estariamos menos perdidos em meio a incompreensão e raiva. Mas existe aquele bloqueio orgulhoso e imaturo que nos impede de sermos simples. E então, alimentamos a cobra que, um dia, fortalecida e maliciosa, nos dará o bote violento e certeiro. A forma como nos deixamos ser atingidos e influenciados, e assim repetimos com relação a outros põe todo um processo evolutivo em um ponto de estagnação. E o que sobra de nós? Olhos vendados e um corpo sendo dirigido por sentimentos traiçoeiros e falhos, que levaram a um extremo ridículo aquilo que poderia ser facilmente (ou possivelmente) contornado por foco, força e fé. 
          Até quando nos limitaremos a isso? Até quando seremos meros temperamentos?
          Feliz é o coração aliado do bom-senso, e que sabe definir suas prioridades, e delas não desvia seu olhar. Disponibilizando seu tempo apenas ao que vale a pena. 

quarta-feira, 4 de abril de 2012

Estaremos sempre aqui


          É a força da poesia que corre em nossas veias que sustentam a resistência às frustrações, enganos, erros. Sustenta a chama que parece ir se consumindo gradual e dolorosamente...mas a verdade, é que ela se renova a cada dia, a cada leve centelha lançada em um poço abandonado de esperança, coberto pela acomodação e aceitação daquilo que simplesmente deixamos acontecer. 
          Complexo é poder compreender a dimensão da consistência e verdade impostas à essa realidade surreal, muito mais sólida do que qualquer organização social e humana que possa ser criada. Sobrenatural em sua própria essência, e tão acessível aos humanos ao mesmo tempo, não a todos, mas a todos, eu digo. Que nos permite ir no ritmo leve e despreocupado de uma melodia que não impõe complicações, medos, incertezas, apenas nos adota, naturalmente à sua paisagem viva e dinâmica.
          Pulsantes, reais, juntos e despertos. As certezas sendo postas à prova, e prevalecendo sobre muralhas impostas pela resistência da humanidade perdida, atitudes superando vãs palavras e afirmações, o bom resultado surgindo, formando-se e solidificando-se diante dos nossos olhos, o impossível alcançado. 

          Mantendo sempre nossos pés no chão...enquanto nossas mentes estão nas nuvens. As lembranças e marcas do que foi feito, a superação do que se está fazendo, e a certeza deliciosamente incerta, vacilante e esperançosa do porvir. 

domingo, 18 de março de 2012

“O que eu adoro em tua natureza não é o teu profundo instinto maternal, nem a tua pureza. O que eu adoro em ti é a vida.” Manuel Bandeira

Poesia


Gastei uma hora pensando um verso
Que a pena não quer escrever
No entanto, ele está cá dentro
Inquieto, vivo.
Ele está cá dentro
E não quer sair.
Mas a poesia deste momento
Inunda minha vida inteira.

Carlos Drummond de Andrade

Saudades


Nas horas mortas da noite
Como é doce meditar
Quando as estrelas cintilam
Nas ondas quietas do mar;
Quando a lua majestosa
Surgindo linda e formosa,
Como donzela vaidosa
Nas águas se vai mirar!

Nessas horas de silêncio,
De tristezas e de amor,
Eu gosto de ouvir ao longe,
Cheio de mágoa e de dor,
O sino do campanário
Que fala tão solitário
Com esse som mortuário
Que nos enche de pavor.

Então, proscrito e sozinho,
Eu solto aos ecos da serra
Suspiros dessa saudade
Que no meu peito se encerra.
Esses prantos de amargores
São prantos cheios de dores:
- Saudades – dos meus amores,
- Saudades – da minha terra!

Casimiro de Abreu

sexta-feira, 27 de janeiro de 2012

O controle não é constante, a prepotência não tem fundamento e a consistência de suas palavras e atitudes perdem o peso assim que você percebe o quanto é pequeno. É que nos achamos bons demais, superiores demais, evoluidos demais. Não somos nada. Só um bando de ideias, teorias, e questionamentos vacilantes rondando a Terra.
A única perfeição que existe é aquela baseada na eterna sede de melhora.

domingo, 15 de janeiro de 2012

Velhos hábitos...novos rumos.



          A vida deixou de ser uma brincadeirinha de boneca há algum tempo. A realidade se faz presente e marcante em cada dia da minha existênciazinha, para outros, um tanto insignificante. Presenciei mentiras e traições, vi decepção e frustração, ondas imensas e intimidadoras se levantando acima de sonhos, inocência, amores. Algumas vezes, a onda se fazia mais forte, mostrava ser mais consistente do que todas essas coisas que não podemos sintetizar, apenas sentir, se mostrava mais real e, como sempre, dizia estar com a razão. 
        A razão. Fator determinante na vida de muitos, talvez o mais aniquilador de todos. A razão pode ser muitas vezes responsável por mortes muito piores que a física, se não usada da maneira correta. Maneira essa, considerada a mais insana de todas, atualmente. Onda a razão é colocada, não acima, ou abaixo, mas na balança lado a lado da emoção. Onde ela não define certo ou errado, apenas aquilo que nos faz (verdadeiramente) bem e felizes. Não nos limita, mas expande nossos horizontes. Não nos amedronta, nos prepara. Não nos impede, apenas nos protege, e mesmo assim eventualmente, apenas e só apenas, nos alerta. E deixa, sem mágoas ou preocupações que o resto do caminho seja trilhado pela emoção, responsável pela intensidade de entrega e sensações que fazem com que se valha a pena lembrar de tudo.
        Dessa forma eu pretendo levar o fardo (não leve, porém maravilhoso). Vai ser difícil manter a constância, complicado passar por cima de tudo e mesmo assim me lembrar dessas palavras e me agarrar a elas com verdade. Mas se a minha certeza for capaz de ultrapassar qualquer dúvida ou afronta, mesmo marcada, chego lá na frente. 
        Aceitar que existe, sim, uma beleza, apesar de todas as palavras frias, repreensões e incompreensões não é tão simples. Também não é impossível. Enquanto eu tiver este lugar, esta música e este sentimento, estarei segura. Enquanto puder encontrar apoio nos olhos do próximo, tão querido. Enquanto eu ainda olhar para o céu, e enxergar nas constelações mais do que simplesmente a disposição de corpos celestes no meio do infinito, enquanto enxergar além do que os olhos vêem, as mãos sentem, o ser humano conhece...estarei bem.

               

quarta-feira, 11 de janeiro de 2012

No final do dia...


Tudo aquilo que dizemos para nós mesmos é absorvido com uma forte verdade e certeza, é simplesmente fácil aceitar algo que é real para nós. Para nós. 
Só que existe uma realidade massacrante lá fora, cheia de armadilhas muito bem armadas para que você caia, encontre o fundo do poço e lá seja obrigada a sacrificar todos os seus sonhos em troca de oxigênio, para permanecer vivo na superfície, sobrevivendo em uma subvida. Quando se está sozinho, o seu mundo de fantasia e sonhos chega a ser quase substancial, você o sente e o toca como se nada fosse mais firme e absoluto do que toda aquela montanha de vãs filosofias. Mas quando se desperta de toda essa enganação e percebe que você não tem direito nenhum, apenas a obrigação de seguir regras, as suas certezas e pretensões se chocam com a sólida muralha que te separa da tão sonhada autonomia.
Independência e liberdade de pensamento estão escassos em uma terra seca e sem vida, onde já não se encontra meios de salvação. Não posso pregar esperança e persistência em minhas crenças se não vivo uma realidade assim. Há muito tempo não espero apoio, não conto com nenhuma cumplicidade da parte de ninguém, porque há muito os meus princípios se tornaram ininteligíveis para meras mentes humanas. Mas tem se tornado difícil permanecer inabalada, sem ter onde me segurar no meio dessa forte e poderosa tempestade de vento. As certezas e vontades começam a vacilar, os sonhos se distanciam, o tempo parece não passar. E o fator aniquilador é que os meus medos, dores e preocupações são considerados mera futilidade. Talvez em uma terra longínqua, em outro extremo contrário à minha, eles realmente sejam. Nessa terra automática, limitada e rasa, cuja legislação considera criminosas práticas de aprofundamento em qualquer tipo de conhecimento, satisfeitos com as suas conclusões medíocres a cerca da vivência e das experiências que acumulamos. As metas se submetem a um sistema falho e frio. Os revolucionários são banidos. Nessa terra, os meus sonhos são sinal de insanidade. E essa terra...tem força sobre mim. 
Acredito que não termine dessa forma, não se limite a essa revelação medíocre. Mas enquanto a minha vida não tomar outro rumo...é assim que ela se segue.

  

segunda-feira, 9 de janeiro de 2012

Segredo da Vida



          Que sou eu afinal, além de uma pessoa em meio a outras sete bilhões?
          A questão é que só vemos a vida através dos nossos próprios olhos, e não é nenhum problema de falta de empatia ou egoísmo. É só que todos temos o nosso próprio jeito de aceitar, enxergar, revoltar, apaixonar, agir e reagir. Algumas vezes a cegueza e a prepotência nos fazem pensar que não existem outros jeitos de lidar com tudo aquilo que nos cerca. O certo e o errado são abstratos demais para serem definidos por um só coração. O caminho é único, mas pode ser trilhado de maneiras diversas, com sentimentos diferentes e pontos de vista opostos. Implica em aceitação, tolerância, compreensão, mente aberta. Onde tudo o que realmente importa é o amor, paz, alegria, simplicidade, pureza e espiritualidade que emana de cada um de nós. O jeito do olhar, a paixão com a qual nos entregamos, o companheirismo... a nossa fé, pois é através dela que praticamos tudo aquilo em que acreditamos.
          A soberania não é imposta a ninguém, não temos nenhuma obrigação de sermos superiores. Somos todos iguais. E esse é o segredo. Lembrarmos que todos os dias são presentes, chances únicas que não voltam. Novas chances de amarmos, aprendermos, construirmos. E só existe essa maneira... o resto não vale a pena.
Quando sentimos que precisamos fugir a tudo aquilo que nos prende e nos limita, talvez o melhor caminho ainda não esteja tão claro em nossas mentes, mas temos a necessidade de buscá-lo, e lutar por ele, encontrar uma forma de fazer as coisas que faça sentido para nós mesmos. Os outros não precisam entender, nem serem iguais, o verdadeiro sentido se encontra por dentro, e dele provém a satisfação de acordar todos os dias e fazer as coisas... do nosso jeito. Do jeito de cada um. Se nos enganarmos, se nos direcionarmos pela contra-mão, aprendemos mais. Se formos inteligentes, não repetiremos mais aquilo que nos faz mal. E o ciclo é sem fim, de forma que nem mesmo a morte limita a força e a magia que sonda nossas almas. Somos mais do que carne, mais do que homo sapiens, matéria. Somos espírito, somos energia, somos vida pulsante, vivendo. Sorrindo, chorando, dançando, amando, sofrendo, alegrando, emocionando, evoluindo, aprendendo...lembrando.
É o que eu desejo sincera e esperançosamente a todos...

domingo, 25 de dezembro de 2011

And so this is Christmas...




          Sempre esteve dentro de de nós, na verdade, a verdade. O verdadeiro significado, o sentimento que faz tudo valer a pena. Aquilo que transcende nossas forças de entendimento, o que vai além do que todos especulam e deduzem. Pode ser alcançada, ao fechar dos olhos e ao abrir da mente, para que se veja a alma. É tudo tão grande, para seres tão pequenos. Mas crescemos todos os dias, nós, que entendemos e sentimos. Estamos em minoria, sabemos, mas acreditamos e não paramos, não abandonamos, não esquecemos e não nos desapegamos. Porque a força que nos sustenta é simplesmente maior e muito mais poderosa.
          Eles dirão que não existe, não faz sentido e está errado. Somos todos loucos nos iludindo e trilhando um caminho fantasioso. E é esse o verdadeiro presente, eterno e infinito privilégio, ultrapassando qualquer entendimento ou qualquer sinal de humanidade dentro de nós. Ele procura outra coisa, que habita por dentro, mas não se envolve com a carne, nem com os desejos que ela expressa, não se envolve com as falhas, erros, medos, frustrações, preocupações. Ele procura o espiritual, aquilo que não tocamos, não vemos. Sentimos. Logo, nos tornamos, transformamos. Somos poucos, somos loucos. Nós alcançamos a sanidade, e ficamos cada dia mais perto da verdade, pois a buscamos com garra e colocamos nossa vida e todo o nosso real sentido nesse único propósito, que nos foi imposto por Ele. E é por isso que estamos aqui. Por isso lutamos, sem jamais nos cansarmos. Por isso sonhamos acordados. Por isso, não só na data de hoje, mas todos os dias de nossa existência, agradecemos.

Feliz Natal.

domingo, 18 de dezembro de 2011

Sons



Everyday it's gettin' closer, goin' faster than roller coaster, a Love like yours will surely come my way. Hey -hey-hey. Everyday it's gettin' faster, everyone said, go ahead and ask her, hey hey, hey-hey. Everyday seems a little longer, every way love's a little stronger. Come what may, do you ever long for, rue love from me, nah nah nah.

     E por um momento pensamos que estamos sozinhos e plenos. Apenas o ambiente saudável, ensolarado, calmo e sereno nos envolvendo e nos abraçando, sussurando aos nossos ouvidos que é sempre assim, e que o resto não importa. Nos trancamos dentro de nossa própria alma e nos agarramos às nossas próprias especulações e conclusões, como se fossem concretas e firmes como rochas. O dia nos aquece e então temos a convicção de que essa é a verdadeira saúde, e a verdadeira realidade, sufocada pelas mazelas humanas e erros incontornáveis. Mas, ainda sim, a nossa realidade.


sábado, 17 de dezembro de 2011

Faith



Podemos especular o quanto quisermos, criarmos justificativas e explicações para nossas atitudes e crenças, todas com base em um ponto de vista. Mas a verdade é que a certeza é algo abstrato demais para ser usada com tanta propriedade por nós, mesmo que enganosamente. Somos todos os mesmos, fracos e limitados. Mas existe uma batalha a ser travada, conquistada. A de todos os dias abrir os olhos ao acordarmos e enxergarmos uma razão para continuar e persistir. No fim do arco-íris, o que existe? Alguém algum dia já descobriu? Se já, não voltou para nos contar sobre a verdade, a concreta prova e certeza que todos buscamos. E é um fato que nunca haverá ninguém, nenhum ser substancial para nos dar essa certeza. Não enquanto estivermos presos a este ciclo. A questão é sabermos onde encontrar o caminho para, algum dia, chegarmos até ela. Aquilo que precisamos fazer, quem precisamos ser, o que precisamos ver...sentir. A vida que precisamos viver.

domingo, 27 de novembro de 2011

Insaciável Sede


    Somos objeto de estudo, dúvida e contradição. Sentimentos, teorias, ideologias e princípios. Valores, moral, ética, proibições e opiniões individuais. E é um pecado deixar esta mente tão ridícula e insignificantemente poderosa morrer em suas profundezas inexploradas. 
    A cruel dúvida a cerca da existência de uma natureza geral ainda é questionada, baseadas em uma mistura de psicologia, religião e humanismo. A cada dia que passa, nós, seres pensantes, estabelecemos novas convicções a cerca de uma verdade definitiva. Mas existe um perigo em ir a fundo demais em algo que nos oferece tantas teorias. Obviamente, a que mais satisfizer nossa (in)consciência, estará com o crédito. 
    Por baixo de uma arrogância quase deplorável, habita uma autonomia e independência duvidosa e não muito firme, que podem levar a lugares frios e desprovidos daquilo que é, por alguns, considerado vital.
    Leiga em muitos assuntos, carente de qualquer noção a cerca de muitas pautas discutidas hoje, mundialmente. Porém, ciente e agarrada à uma convicção pessoal, uma certeza subjetiva, muito mais sensitiva do que visível. Uma busca infindável, um dom.
    Sem jamais ignorar qualquer tipo de informação ou conhecimento, opinião ou crença. Apenas conhecendo sempre mais do mundo em que hoje, habitam doentes e poetas, e seus ignorantes seguidores. Algum dia saberemos se tudo isso serviu para algo. Se todo o progresso e descobertas da sociedade mundial teve, por fim, algum valor, e alguma verdade contida. Para alguns, sempre existirá. À outros, só resta duvidar e questionar, sem jamais viver, ou colocar a sua própria vida em algo, algum propósito. Aos que gastam tempo com tantas revoltas e questionamentos -que se em menor dose, podem ser um pouco saudáveis para a sociedade-, reservo especialmente um sentimento de pena. Cada vida, cada alma (se é que existente) é única, e tem seu valor individual. Cada desperdício, cada uma que se é jogada fora, é uma estaca enfiada no coração da nossa terra, cujos filhos suicidam-se em busca de um sentido que não faz sentido, e não trás felicidade. A não ser que esse seja o objetivo a ser atingido, caminhamos a passos largos para o fim da alma. 
    Nada nunca foi desconhecido quanto a morte. E... depois dela, o que nos espera. Mas caso morra, posso dizer que antes, vivi.




sábado, 12 de novembro de 2011

Faltam palavras, isso é um fato. Faltam motivos e causas válidas. Mas a luta contra a mente morte continua, e os acontecimentos sempre nos surpreendendo e tirando o fôlego dos inocentes, muitas vezes os deixando sem rumo. Escrevo pra mim, e para o meu interior. Se consigo dizer algo a alguém através deste meio, realmente não sei. Mas sou a única pessoa que acredita na minha filosofia completamente como ela é. Os dias vão continuar passando, as pessoas vão continuar morrendo, nascendo, crescendo, se corrompendo. Eu... vou continuar vivendo, assistindo a tudo isso, lutando do meu jeito, contrariando da minha forma.

quinta-feira, 8 de setembro de 2011

A Vida Pode Ser Boa


Recursos naturais se esgotam com a mesma velocidade da paciência e esperança de vidas melhores e mais dignas. A segurança e a instabilidade andam paralelas nesta dança do medo. Alguns países pregam alegria, fartura, cultura e estabilidade sobre seu povo, mas jamais saberemos qual é a verdadeira cena por baixo de todo esse cenário armado. O planeta passa por mudanças a cada dia, e muitos temem serem ultrapassados. Uma cultura pós-moderna domina os pensamentos e as ações, e controlam pessoas para que sejam subordinadas a uma única causa, àquela na qual seus olhos estão vidrados: a economia, a evolução industrial, a situação financeira.
Algum dia teremos que admitir que nosso mundo é controlado por doentes, esquecidos do que é realmente importante na vida de um ser humano. E a ideia de que seus pensamentos estão se polarizando dentre as sociedades é cortante. Se tornaram distorcidos e vagos os conceitos de família, respeito, dignidade e amizade livre de interesses.
Os momentos de simplicidade e confraternização, o simples ato de calar o mundo a sua volta para poder ouvir aos seus próprios pensamentos envoltos em calma e serenidade, ter sua atenção voltada, mesmo que por poucos minutos, à natureza e na forma como ela trabalha, mágica e poéticamente, se tornaram apenas cenas produzidas em Hollywood. A veracidade da mentira na boca do homem está tornando o mundo cinza. Está fazendo-o definhar, encaminhando-se para o fim.
Mas a verdade é que, contradizendo muitos sábios e filósofos, nada tem fim. Enquanto houver as lembranças de um passado tão presente, de momentos eternizados por meio de sorrisos ou lágrimas de alegria, de sensações vivídas maravilhosa e intensamente, por mais tempo que tenha se passado, esses momentos continuam aqui. E são eles, e as pessoas que os viveram, os únicos com o poder de mudar o mundo no qual vivemos, que está sendo tão drásticamente maltratado e padronizado em um sistema frio e calculista.
Ainda existem pessoas puras, ainda existe inocência, ainda existe uma felicidade pronta para ser desbravada, por nós, filhos desta terra. Então, se a vida é feita de escolhas, entendemos que elas devem ser tomadas com coerência e responsabilidade, sim, mas apenas para aqueles que sabem vivê-la, deve-se acrescentar um pouco de uma saudável insanidade; que torna tudo poético, mágico... e suportável.

Juliana Uchôa Coimbra Leal.
CELAMM, Turma 1001.
Festival de Talentos de Biologia.

quinta-feira, 21 de julho de 2011

Camuflagem


          Eu não me interesso. Não me apego. Não vejo um motivo para nada disso. Óbvio que isso não quer dizer que não exista. Mas tenho medo de ser vazia, e tenho medo de que isso seja permanente. Quando se tratam de futilidades não considero um defeito. Mas quando se trata de vida, quando se trata do necessário... é assustador pensar que eu posso não ter aquilo que realmente preciso.
          Eu sempre vou exagerar, e é claro que tem momentos que eu só preciso fazer sentido para mim mesma, e sou muito feliz por tê-los. Pois a incompreensão tira minha paz. E é lindo dizer que isso não afeta a forma como nos vemos, ou as coisas em que acreditamos. Mas é um fato pessoal que afeta. E enfraquece. E desanima. Mas continuo firme no final das contas.
          Não sei se é questão de personalidade, jeito de ser. Sei que tenho a mania de me torturar, e de me martirizar, numa incansável e falível tentativa de poder dizer que sou humilde. Não queria ser perfeita, mas às vezes me aparece como uma ideia interessante. Lidar com os meus defeitos é horrível, mas pior é lidar com o fato de que tenho que lutar contra eles, é cansativo.
          Eu sou uma bagunça, eu engano a mim mesma e às pessoas que estão ao meu redor. Camuflo as verdades dolorosas e quase chego a acreditar na minha própria mentira. Eu magôo e ofendo a mim mesma. Porém, o mais engraçado, talves aliviante, de tudo... é que ninguém sabe nada disso. Os enfrentamentos comigo mesma, as cruéis dúvidas e medos, os receios, os mesmos discursos maçantes feitos à minha própria alma já entendiada de ouvi-los... tudo isso não poderia ser mais interno, e também se fazer tão invisivelmente externo no meu dia-a-dia.
          Não tenho problemas. Tenho dilemas. Graças a Deus, tenho dilemas. Graças a Deus me conheço e respondo a mais perguntas a cada dia. Graças a Deus eu penso, e faço pensar. Graças a Deus eu vivo.
Por que no final do dia... a vida continua sendo maravilhosa e deliciosamente imprevisível.

Existe um padrão até para ser despadronizado.

sábado, 9 de julho de 2011

Inside Explosion


     
Um agradecimento à inspiração, que, contemplando meu desespero e perda, riu da minha inocência e falta de sabedoria. Num ato de caridade, resolveu me abraçar e me consolar. Pois nada sou, apenas trilho esse caminho e observo o pôr-do-sol todos os dias me perguntando o que mais ele esconde, que maravilha será essa que está tão fora do meu alcance. E sonho... Imagino, fantasio, existo. Escrevo textos para lançar questionamentos (e vez ou outra respondê-los) a cerca da razão e da emoção que me acordam toda manhã. E aquele doce som que me acompanha e me apaixona, me mantém atada ao universo o qual é a minha sina. Se algum dia senti dor, tenho certeza que a força a sucumbiu. A essência não se encontra na superfície do mar de sentimentos, pelo contrário, ela se esconde bem ao fundo, esperando, algum dia, ser explorada e assim, poder irradiar sua pureza e magia, que me torna quem sou, quem desejo ser. Me inundei de essência, a tomei em meus braços e morri a morte exultante, me deixei levar e levei comigo o mundo que me envolve todos os dias, o transformei e o tornei limpo, são. Delirei, e foi então, que encontrei a razão. 
"The music is all around us, all we have to do... is listen."


segunda-feira, 27 de junho de 2011

Somos lobos


“O homem é o lobo do próprio homem.”

Não há como ignorar aqueles grandes olhos tão hostis, competitivos e desafiantes. Seu olhar congelante vem a mim na forma de afronta e deboche, mas sempre encaro como um clamor. Um clamor para que algo seja mudado, para que alguém finalmente ceda. E é assustador pensar que essa é uma regra quase que geral em todos os relacionamentos. Existem aqueles que não se sentem bem em meio a harmonia, onde simplesmente não há intrigas nem complicações, muito menos tensão, e devo admitir que é duvidoso que tal ambiente realmente exista. Parece ser algo superficial, não se contentam com a simplicidade e leveza do tal ambiente, e então decidem criar este ciclo tristemente sem fim. Não é certo negar, para que uma maior parcela de culpa caia sobre os ombros daqueles que disseminam tal sentimento, que há um certo divertimento em estar envolvido e envolver outros indivíduos em situações complicadas e tensas, que há emoção ao falar sobre isso com outras pessoas não envolvidas para que elas possam ter a mesma opinião, pois sei bem que é verdade. Porém isso nos consome, e gradualmente nos faz pensar que não há nada de errado em agir de tal forma.
O ponto de vista de cada um irá sempre favorecer e pender para o seu próprio lado, justificando e defendendo-se, nunca ninguém vai se colocar em seu lugar e aceitar a desconfortável verdade: temos um lado maldoso. Temos essa estranha dificuldade em aceitar que um outro alguém está em uma posição elevada, ou está com a razão, ou entende melhor certas questões humanas. Temos medos de sermos pouco, logo, pequenos. Porque é isso, afinal que o ser humano tanto busca, grandeza. Por isso desafiam Deus, por isso querem estar sempre evoluindo, por isso vão atrás de justiça com as próprias mãos, para dizerem que fizeram algo por si só. A grande maioria sabe e entende que vivemos sob contratos sociais e superficialidade, o que não entendo é, porque, então não lutam contra tal fato. É como se duas pessoas mentissem uma para a outra e ambas soubessem disso e não fizessem nada, não faz sentido. E já me vi diversas vezes envolvida em relações assim, onde não havia certeza em nenhum sorriso ou palavra dita. Porque não admitimos, não expomos opiniões, apenas nos espreitamos pelas frestas que nos parecem confortáveis. E seguindo tal linha de raciocínio é que pessoas sinceras são confundidas com pessoas ásperas e insensíveis, porque hoje tudo se baseia na superficialidade dos fatos ocultos.
Essa necessidade que temos de sermos melhores manipula nossos pensamentos e opiniões, estimula inveja, ciúmes e pré-conceitos a cerca daquilo, e pior, de quem não sabemos nada. E mais triste ainda é ter de admitir que é um sentimento natural, que aflora da nossa essência, e se alimentado, toma conta de tudo aquilo que desencadeia nossos desejos e impulsiona nossas atitudes.
Me acostumei com esse jeito humano de ser, partindo de outras pessoas. Com relação a mim, policio e odeio, e me aproximo, sempre verdadeira e transparentemente daqueles que agem da mesma forma, que sentem a mesma repulsa, que já cansaram de dizer mentiras a pessoas mentirosas e que sonham com um limbo relacional, onde há sentimento e afeto.


sexta-feira, 24 de junho de 2011

Mazela interior


          É culpa o que sinto por estar escrevendo e não agindo. É sentimento de impotência, de desânimo, por ter muito o que fazer, encarar. Por ser uma grande tarefa, e ao mesmo tempo ser algo tão simples. Ela está lá agora, desejando alguém com quem conversar, desabafar, alguém para colocar a culpa de seus fracassos. Ele está lá, definhando gradualmente, vendo o pouco sentido que restou da sua vida se desfalecendo, a chama de apagando. E estou estagnada. As palavras certas nunca são proferidas, a iniciativa nunca é tomada. E isso também me mata, me mutila aos poucos para que a dor seja vagarosa. Já clamei por direção, já tentei várias vezes. O que é desesperador é que parece nunca adiantar. Há algum tipo de bloqueio, de barreira emocional que coloca fora de questão qualquer melhora. O problema todo talves seja que as escolhas tomadas no passado não podem ser refeitas, os erros jamais serão reparados, e as feridas jamais cicatrizadas. Não se as coisas continuarem da mesma forma. 
          Enfim, isso já não diz mais respeito a mim ou as ações que eu deva tomar. Eu só tenho esse desejo, de por mim mesma, poder mudar alguma coisa. Ou que pelo menos, seja através de mim. Eu só preciso saber a hora certa de me calar, e a hora certa de falar, e falar a coisa certa. A teoria é simples e objetiva, a prática que me mata. Existe muito amor envolvido, e não tenho a capacidade de simplesmente ignorar. Creio que se não posso me livrar de tal fardo, pois também não quero, então, devo concretizá-lo. Mesmo quando tudo parecer irreversível, e nem esperanças mais existirem, desesperançada, eu vou continuar.
          Pois este fardo, é o maior ato de amor e carinho já imposto a mim. 

terça-feira, 21 de junho de 2011

Meus olhos refletidos


"As questões humanas são complexas começando por isso: dificilmente se podem estabelecer com justiça e justeza regras gerais, quando se tratam de costumes, sentimentos, tradições, legados familiares emocionais e conceituais, tipos de relacionamento."
"Mas se tudo fosse como parecia nas minhas ilusões de menina, eu provavelmente passaria boa parte do meu tempo olhando pela janela, não para ver as árvores ou as nuvens, mas bocejando na prisão da excessiva coerência."
"Será pior ter mais equilíbrio, mais serenidade, mais elegância e até bom humor diante de fatos que na juventude nos fariam arrancar os cabelos de aflição?"
Sábia Lya Luft, Pensar é transgredir. Infinitamente grata, e ansiosa pelo que ainda há de vir.


segunda-feira, 20 de junho de 2011

In Memorian


          Nunca defendi a teoria da alma gêmea. Existem bilhões andando por aí. Neste exato momento, tanta coisa acontece, e se passa na minha cabeça como um filme, as discussões, as canções, os abraços, as mortes e os nascimentos, um café solitário e uma refeição em família, o silêncio e o falatório, a alegria e a tristeza, o choro e o riso, as alternâncias da vida. Aquelas que nos consomem todos os dias. E as vezes é difícil acreditar que nesse turbilhão, neste momento alguém esteja pensando em mim, e sonhando comigo, entendendo meus dilemas e suportando tudo ao meu lado... mesmo que longe. É difícil acreditar. Mas já entendi que consigo ultrapassar os limites do impossível, e passar por cima de todas as minhas certezas negativas. E em um passado eu acreditei, e penso ter sido verdade.
          E sei que imaginar viver em uma vida onde essa pessoa não esteja ao meu lado não é uma hipótese. Com ela há sentido, há riso e magia. Pensar em perdê-la... mataria o meu chão, a minha respiração se tornaria quase inútil, pensar na vivência e na minha contextualização doeria. E não existe ninguém com seus pensamentos, e jeito, ninguém com o mesmo sorriso e olhar. E odeio pensar em para quem escrevo tudo isso. 
         À todos que perderam pessoas, e junto com elas se foram esperanças, sonhos, e muitas lágrimas... eu digo que não sei como se sentem inteiramente, mas espero que tenham tido a chance de passar bons momentos ao lado daqueles que não mais deixam seus passos aqui, conversam, ou sorriem mais para vocês. Dói. E parece interminável. E talvez seja mesmo. Mas não precisa ser de uma forma ruim. A lembrança pode ser um dos melhores encorajamentos para enfrentar todas as emoções de mais um dia, mais um amor, mais uma possibilidade. É um caminho que trilhamos sozinhos, mas não necessáriamente desacompanhados. Olhar para trás é o grande fardo. E o maior presente. 


sábado, 18 de junho de 2011

Livremente acorrentada


  Então, um mundo se é construído. Subjugado por quem tem uma sabedoria elevada, teóricamente. Fundado por ensinamentos baseados em experiências, algumas vezes de dor, perdas, frustações, outras de alegria, prosperidade e eventuais acertos. Tão subestimado. Existe nele algo maior, que supostamente deveria ser explorado, com a ajuda dos ditos sábios. Porém os mesmos só o levam até um certo ponto. E então tudo se confunde. Com que propriedade se fundam as convicções e certezas? Princípios e as tão assutadoras particularidades? Este mundo aparentemente se limita, e deve esperar calada e atentamente pelas graduais fases pelas quais está propenso a passar. Se não se dispõe a mudar tal história ele se esvazia, e se torna mais um dos milhares de subordinados do sistema. Acomodados subordinados.
       A questão é que ele (o mundo) é vulnerável demais. E pequeno demais. Não sabe se tem força para desbravar tantas possibilidades. Livre, porém acorrentado. Mas preferiu enxergar a situação da forma inversa. Opiniões contrárias, críticas, muros altos o assombram, porém ele sabe que existe uma força interna que potencializa qualquer vontade, curiosidade que tiver. 
  Ele admite sua fraqueza, e erroneidade natural, e para isso consulta aos seus sábios. Mas em diversas situações nunca se esquece de procurar sozinho suas respostas. Porque, como antes dito, só é conduzido por outros até um certo ponto. E então, a independência pode ser tanto uma consequência feliz devido a uma busca por ela, quanto um fardo, mas sempre um leque de possibilidades, que jamais podem ser desperdiçadas. 
  Sou pequena, sou falha, me engano, me iludo, me precipito, me equivoco e posso chorar por isso. Mas aprendo. E trago a sabedoria adquirida comigo, em busca de mais, sempre mais dela. A minha essência, minha realidade e fantasia, o mundo que sou eu, é chutado, desprezado, subestimado. Mas também o enxergam, e sorriem para ele, o entendem, o acolhem e cuidam dele. Ele se fortalece. E se prepara. Pois pertenço ao infinito, e ele me pertence.       


quinta-feira, 16 de junho de 2011

A beleza sucumbida é trazida à tona

          


          Falo tanto do meu mundo. Onde o julgamento e o pré-conceito, as regras e as proibições, as prioridades e valores são determinados por mim, apenas. Falo tanto da minha realidade fantasiada com tanta convicção e incerteza, desespero e esperança em uma busca desenfreada por sentido, ou a falta do mesmo. Falo tanto deste mundo que me esqueci daquele outro. Aquele cujas burocracias, formalidades, políticas, enganações e a maldita sistematização causaram meu afastamento.
          Mas errei em algum dia ter pensado nisso de forma generalizada. 
          Ao me deparar com dizeres e atitudes de pessoas que eu jamais sonhara terem tal personalidade e espírito me senti confusa. O que acontecera com o mundo perdido, enganoso, poluído, frio e calculista que eu tanto condenara? Ele ainda estava cheio de maravilhas... camufladas por medo, insegurança, vazio, erros e dor, mas ainda estavam lá. 
          Nesse dia me alegrei por ter errado, por ter me equivocado. E me entristeci pela minha visão, que eu tanto sonhara ser superior e muito melhor desenvolvida ser quase tão limitada quanto a de muitos outros. Preciso enxergar todos os dias todas as belezas possíveis, e as impossíveis ficarão por conta da minha fantasia, pois esta, agora, será sua nova função. 
          Pela primeira vez em muito tempo, consegui encontrar aquela beleza sucumbida pela frieza, e a ressuscitei dentro de mim.

segunda-feira, 13 de junho de 2011

A maravilha das conclusões



Quando te faltam palavras, você entende que é algo muito abrangente e maravilhoso demais pra sua mente tão humana.

sexta-feira, 10 de junho de 2011

Eu e Deus


          Sua mão segura o vento, você sorri e imagina aquilo que gostaria que fosse verdade. Isso não é um fracasso, só uma forma de autoproteção. Não pensar nas coisas como elas são. Se você sabe da verdade então não tem como se machucar devido a surpresa. Só corre o risco de se apegar muito a fantasia e se esquecer de que ela só existe pra você. Mas sou cuidadosa. E fico feliz por conseguir ficar sozinha, sem desespero ou pressa. Me orgulho por poder fazer minha própria felicidade, lado a lado do único sentimento real e mais maravilhoso, que me mantém forte. Não é sólido, nem visível, mas o que me mantém sorrindo, e esperançosa de que as coisas não estão nem um pouco ruins. O sentimento que não é humano, vulnerável ou instável; é o único que importa.
          Daqui a anos, vai ser só um detalhe que cercará o passado da minha realidade, um passado sempre presente. Por ter sido tão bom. 
          Isso não é um fracasso. 
          Pode até ser que seja amor próprio, e sabedoria. Tem tanto barulho corroendo meus ouvidos, e eu preciso tolerar tantas discrepâncias e contrastes. O mínimo que eu posso fazer é aprender a estar bem sozinha, nunca negando companhia... mas sabendo me virar sem elas. Aceitando que nada está contra mim, eu mando nas regras e as faço agradáveis da forma como eu quero. Enlouqueço quando quero, sem nunca perder a razão, ou o brilho no olhar. Sem perder a essência, e o meu sorriso, por mais que as vezes ele seja apenas interno. A felicidade...sempre vai ser a minha melhor amiga.