Será que tem aqui?

segunda-feira, 25 de abril de 2011

É sempre assim.



             É tudo um mar de rosas. É tudo tão verdadeiro... mas então, descobrimos a verdade. 
             Nunca gostei de tratar desse assunto com a intensidade de uma novela mexicana, com direito a choros histéricos e a passar horas remoendo a mesma dor. De alguma forma, passei a encarar como algo que sempre será da mesma maneira. Existem pessoas muito boas, pessoas com quem realmente podemos contar. Mas nunca, pessoas em quem podemos nos apoiar sempre. Existirão momentos em que os conselhos virão de forma que nos ajudaram muito. Mas na maioria das vezes temos que filtrar tudo aquilo que ouvimos, analisar cada palavra, fazer uma medição com a realidade, estudarmos a proveniência daquela enxurrada de filosofias e metáforas que, aparentemente, funcionam tão bem, para então... descobrir que nem sempre podemos dar ouvidos a todos. Mas não queremos ouvir, ou dar atenção a verdade. Porque ela machuca. Dilacera. Encarar a realidade? Pra que se podemos viver nesse mundo de mentiras e eufemismos que nos torna pessoas tão boas? Nossos verdadeiros amigos são aqueles que nos dizem aquilo que vai nos confortar, consolar, fazer nos sentirmos melhor. É. É isso aí que se condensou e se camuflou na mente de todos e tomou uma forma agradável, aceitável aos olhos alheios. 
             Não sou nenhuma desiludida que não acredita em amizade, amor fraternal, companheirismo ou em sentimentos sinceros. Sei que tudo isso, em algum universo, mesmo que paralelo, deva existir. A questão é que eu também acredito no fato que é o ser humano falho, eternamente falho, no ser humano que fala bobagens, no ser humano acomodado com seus eufemismos, e principalmente... no ser humano que se engana. Confiar completamente, se tornou um risco. Assinar em baixo de cada palavra, cada atitude, cada mania de outras pessoas, se tornou uma burrice, para não dizer falta de personalidade. A desconfiança é considerada um defeito. Tenho minhas dúvidas quanto a isso. Ao mesmo tempo que me sinto sozinha, e desamparada, me sinto plena, por saber daquilo que pode me ajudar a evitar muitas decepções ao longo desse tempo. 
             Aquilo que nos frustra é colocar tudo em jogo por alguém, apostar todas as fichas, para depois nos decepcionarmos. É que os outros parecem tão certos, com suas afirmações e crenças. E nos mostram as coisas por um lado diferente e "melhor", e então passamos a acreditar neles. Passamos a arriscar.
            Eu acredito em amizade, acredito que possamos aprender muitas coisas construtivas e edificantes com outras pessoas. Mas tenho certeza de que em toda relação, não importa qual seja, devemos estar preparados para nos decepcionar. Cultivar e preservar a amizade é uma das coisas mais inteligentes a se fazer na vida. Mas nunca, se jogar de olhos fechados e de costas, sem perguntar de onde, e de que altura. 
            Acredito que devemos ouvir mais do que falar, mas sempre saber algo sobre o que estamos ouvindo. Damos crédito a tudo que todos falam. Acreditamos terminantemente que tudo aquilo é verdade. Pode ser que seja. Pode ser que não. O mundo se tornou uma interrogação. As teorias não fazem sentido pra mim. Os fatos contestados podem sim, não serem nada do que parecem. Porque a droga do ser humano é falho.
           Em meio aos meus pensamentos e especulações filosóficas, gosto de pensar que se arriscar é uma das melhores coisas que se pode fazer na vida, aceitar o desafio, mergulhar de ponta no desconhecido. Ainda me dou razão. E antes de parecer que estou contradizendo tudo mantenho o seguinte princípio, por mais trágico que possa parecer: esperar sempre o pior. Alguns hippies me esfaqueariam, os rastafaris me mandariam urgentemente fumar alguma coisa para que minha alma pudesse ser resgatada desse abismo obscuro, desiludido e sem esperanças em que se encontra. Mas eu vejo como algo tão simples. Esperar o pior só pode nos levar a duas únicas situações: ou a surpresa, pelas coisas não serem tão ruins quanto parecem. Ou a confirmação sem nenhum detalhe inesperado, que nos pega de surpresa, sobre tudo aquilo que pensávamos. 
           O mundo continua sendo lindo para mim, o canto de um pássaro continua sendo uma dádiva, o amor paternal continua sendo sobrenatural, as maravilhas naturais continuam sendo uma inspiração. Nenhuma luz se apagou dentro de mim, nenhuma esperança em ninguém morreu, nenhuma convicção, nenhum valor foi perdido. A única coisa que ocorreu foi a realização de que eu devo seguir sozinha. Acompanhada, porém sozinha.

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